[Discurso histórico] A Guerra Inevitável

“Será que ganharemos força com irresolução e inação? Nossos irmãos já estão no campo de batalha! Por que estamos parados aqui, ociosos?”

As forças de Putin invadem a Ucrânia, e países que há três décadas prometeram defendê-la hesitam. Certo, ninguém — além de um tirano enlouquecido — quer aumentar o risco de uma guerra nuclear. Mas em momentos assim é impossível não lembrar do famoso discurso do patriota americano Patrick Henry, feito à Convenção de Virgínia em Março de 1775, no limiar da Guerra da Independência dos Estados Unidos.

Há quem diga que este discurso foi escrito mais tarde, e por outras pessoas. Que importa? As palavras estão aí — e se Patrick Henry não as disse, poderia ter dito.

Dizem-nos que somos fracos — incapazes de lidar com um adversário tão formidável. Mas quando seremos mais fortes? Será semana que vem, ou ano que vem? Será quando estivermos totalmente desarmados, e quando um guarda britânico estiver de vigia em cada casa?

Será que ganharemos força com irresolução e inação? Será que adquiriremos os meios para uma resistência eficaz ficando deitados de costas, e abraçando o ilusório fantasma da esperança, até que nossos inimigos nos tenham atado mãos e pés?

Não somos fracos se fizermos bom uso daqueles meios que o Deus da natureza pôs em nosso poder. Três milhões de pessoas, armadas na santa causa da liberdade, e num país como aquele que possuímos, são invencíveis por qualquer força que nosso inimigo possa enviar contra nós.

Além disso, não lutaremos nossas batalhas sozinhos. Há um Deus justo que preside aos destinos das nações, e que fará levantarem-se amigos para lutar nossas batalhas por nós.

A batalha não é apenas para o forte. É para o vigilante, o ativo, o bravo. Ademais, não temos escolha. Ainda que fôssemos assaz vis para desejá-lo, agora é tarde demais para retirarmo-nos da disputa. Não há retirada senão na submissão e na escravidão. Nossas cadeias estão forjadas. Seu clangor se faz ouvir nas planícies de Boston. A guerra é inevitável, e que venha. Eu repito, que venha!

É vão esgotar o assunto. Estes senhores podem bradar: Paz, paz! — mas não há paz. A guerra já começou. O próximo vendaval que venha do norte trará aos nossos ouvidos o choque de armas que ressoam. Nossos irmãos já estão no campo de batalha!

Por que estamos parados aqui, ociosos? O que desejam estes senhores? O que preferem? Será a vida tão cara, ou a paz tão doce, que devam ser compradas pelo preço de cadeias e escravidão? Proíbe-o, Deus Todo-poderoso! Não sei qual caminho outros tomarão; mas quanto a mim, dai-me a liberdade ou dai-me a morte!

*

Imagem: Patrick Henry falando diante da Convenção da Virgínia. Litografia de Currier e Ives, circa 1876. Fonte: Wikimedia Commons.

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